Sábado, Novembro 7

Claude Lévi-Strauss


28/11/1908, Bruxelas, Bélgica.
01/11/2009, Paris, França.

Anselmo Duarte


Nome Completo: Anselmo Duarte Bento
Natural de: Salto, SP, Brasil
Nascimento: 21 de Abril de 1920
Falecimento: 07 de Novembro de 2009

Sexta-feira, Novembro 6

40 anos sem Carlos Marighella: “a chama que não se apaga”[1]


“Senhor presidente,

Senhores e senhoras deputadas,

Subo à tribuna hoje para lembrar os quarenta anos da morte de Carlos Marighella e homenagear o revolucionário, o tribuno do povo, o militante, o combatente do socialismo, o homem.

Durante o dia várias homenagens serão devotadas a Marighella. Na Câmara de São Paulo, ele recebe o título de cidadão paulistano in memoriam. No local onde foi assassinado pelo obscuro delegado torturador Sérgio Fleury, ocorrerá um ato com a presença de familiares, antigos companheiros, militantes e amigos. Peças de teatro e exposições serão dedicadas à lembrança de sua vida.
Um homem não desaparece com sua morte. Ao contrário, pode crescer depois dela, revelando sua verdadeira estatura quanto mais passa o tempo. Marighella é um desses exemplos.

Quando assassinado, seus carrascos trataram de difamá-lo, colando-lhe a pecha de assassino, terrorista sanguinário e procurando, como disse Florestan Fernandes, “condenar-lhe à morte cívica e à eliminação da memória coletiva”. Não conseguiram e hoje são seus algozes que morreram para a história.

Carlos Marighella entregou a vida à luta pelo Socialismo. Marighella foi revolucionário que passou por várias conjunturas, testado em diferentes situações, persistente e com coragem suficiente para não se dobrar a nenhum daqueles que oprimiam nosso povo.

Filho do povo, nasceu em Salvador, na Baixa do Sapateiro, do casamento de um operário imigrante italiano com uma empregada doméstica, negra, descendente de escravos sudaneses, de uma etnia guerreira. Em 1932 ingressou na juventude do Partido Comunista, mas desde jovem mostrava compromisso, alegria e criatividade. Eram famosos no Colégio Central e na Escola Politécnica da Bahia suas provas em versos.

Enfrentou a ditadura varguista, esteve envolvido na Campanha do Petróleo é Nosso, na greve geral dos “cem mil” em 1953 e na luta pela reforma agrária.

Marighella também foi combativo deputado constituinte e assumiu as mais diversas lutas, procurando reverberar as demandas populares e da nação na Tribuna da Câmara. Nesta atividade Marighella fez mais de 200 pronunciamentos.

O regime autoritário do governo Dutra cassou os deputados do PCB na Câmara e colocou o partido na ilegalidade. Marighella teve o mandato cassado, mas continuou sua luta pela libertação do povo brasileiro e pela igualdade social.

Os poderosos tentaram dobrá-lo várias vezes. Foi preso, desterrado, torturado. Enfrentou a tirania do golpe militar em defesa dos trabalhadores, do povo pobre e da soberania nacional. A ditadura militar alculhou-lhe a denominação de “inimigo público número 1” do país.

Por sua luta, Marighella foi assassinado nesse mesmo dia, há quarenta anos, na Alameda Casa Branca, em São Paulo. Hoje, em frente ao local em que foi cravejado de balas por mais de 29 agentes do DOPS, Marighella vive novamente. Lá existe um monumento que pudemos reinaugurar há cinco anos, junto com outros companheiros.

Homenagear Marighella, porém, não deveria retirá-lo da história e colocá-lo na imagem do mito. Carlos Marighella, além de inconformado com a desigualdade social e com as opressões de todo tipo, também era o construtor de instrumentos políticos para organizar o povo e dar-lhe mais força na sua luta pela emancipação. No período em que o partido parecia se conformar, resignando-se com a dificuldade da situação política, Marighella rompeu com o partido, afirmando a célebre frase: “não é preciso pedir licença para praticar atos revolucionários”.

O governo Lula deveria não apenas colocá-lo no panteão dos heróis nacionais, mas resgatar-lhe na prática o exemplo.

Marighella vive. E para celebrar sua luta lemos seu poema que enaltece a luta dos “de baixo”. Trata-se de “Rondó da Liberdade”, poesia que mostra a coragem do revolucionário, sua luta pela liberdade e o amor profundo ao povo:

“É preciso não ter medo, é preciso ter a coragem de dizer. Há os que têm vocação para escravo, mas há os escravos que se revoltam contra a escravidão. Não ficar de joelhos, que não é racional renunciar a ser livre. Mesmo os escravos por vocação devem ser obrigados a ser livres, quando as algemas forem quebradas. É preciso não ter medo, é preciso ter a coragem de dizer. O homem deve ser livre... O amor é que não se detém ante nenhum obstáculo, e pode mesmo existir quando não se é livre. E no entanto ele é em si mesmo a expressão mais elevada do que houver de mais livre em todas as gamas do humano sentimento. É preciso não ter medo, é preciso ter a coragem de dizer.”

Marighella vive, porque a chama do Socialismo não se apaga.

Obrigado,”

Deputado Federal Ivan Valente (PSOL/SP)

04 de Novembro de 2009

[1] Este título foi dado por Florestan Fernandes num retrato de Carlos Marighella feito em 1984, em artigo publicado na Folha de São Paulo.

Segunda-feira, Novembro 2

Teresina à distância


Tenho dito volta e meia que o tema Teresina é travado na ponta dos meus dedos. E isso é verdade, pois nunca consegui escrever nada de substancial sobre esta cidade que um dia me acolheu em 1974 e que depois me expeliu de forma bruta e incontestável.

Reconheço que ao tentar escrever sobre a cidade sempre fui incompetente, piegas demais para o gosto público do meu amigo Airton Sampaio ou o para a gozação pujante de Manuel de Moura Filho, outro dileto amigo.

Talvez um parágrafo sobre Teresina atingisse a delicadeza de João Luiz do Nascimento amigão, também, mas duvido muito. Teresina sempre foi, também, uma ferida travada na garganta em pleno sol a pino apesar das suas bodegas e dos seus calçadões solitários e depressivos neste momento.

Afirmo em primeira pessoa que me julgava incapaz de ter saudade assim de Teresina, mas ao me ausentar dela nestes últimos dias pude sentir que às vezes nascemos em uma cidade, mas a adoção de uma outra é mais profunda, é mais sentimental neste tempo de racionais e racionalismos. E tem sido assim, lampejos e fotos em preto e branco das suas avenidas, do burburinho dos seus bairros operários de fim de semana tem sido forte demais para quem um dia qualquer abominou e desdenhou da cidade de Afonso Mafrense.

Agora sento neste dia dos mortos aqui em Tuntum-Maranhão onde garimpo alguns reais para a sobrevivência, a imagem de Teresina corta o coração como gilete no pulso e a saudade bate dolorida com uma pontinha de raiva e tristeza. Teresina à distância, enfim, é o meu tema.

Emerson Araújo

Sou tricolor de coração

Flu 3 x Cruzeiro 2 no Mineirão

Domingo, Novembro 1

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http://twitter.com/emersonaraujo50

BORGES


penetrei intricados labirintos
cruzei infinitas câmaras
e antes que minhas retinas mourejassem
fiz concessões
de que me envergonhei depois
e
não me perdi

na saída
vi um jardim de tulipas negras
um rio circular
em cujas águas purifiquei o corpo
quando emergi e me pus em terra firme
desfiz-me em grãos de areia
tornei-me infinitesimal
ainda assim
senti frio

fui varrido pelo tempo
busquei abrigo
numa das mil e uma noites
[imaginei que ali encontraria o sentido de tudo]
aqueci-me
mas aí veio a febre
numa delas
sonhei
que dormia como um justo
nos braços de Sherazade

toquei com o dedo a lâmina do espelho
vi vários de mim
multiplicados
sem fim
como naquele jogo que inventastes
sonhos tigres punhais

hoje são teus olhos
[Deus irônico!
engolidos pelo breu da noite]
guias opacos
que me arrastam
como a tua sombra
pelos corredores da biblioteca hexagonal

eu li [tu dissestes]
não há nada que é
ou que será
que [eu] já não tenha sido

agora sei do outro
[que é] o mesmo
ser Borges
duplo de si mesmo

eu sei você vai saber

J.L. Rocha do Nascimento

Sábado, Outubro 31

Senhor Jocas Oeiras,

Só agora depois de hibernar pelas plagas maranhenses, resolvo comentar o previsível sobre o besteirol que a intelectualidade "deprê" desta província tem posto em blogues de todo naipe nos últimos meses: O Bar Nós e Elis.
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Quando fiz o comentário na postagem do meu amigo Airton Sampaio foi de fato para me solidarizar com ele sobre a falsa importância dada a este reduto da burguesia esquerdizante chata de Teresina, comandada pelo economista/deputado Elias Prado Júnior e que vossa senhoria e seguidores continuam, tentando sacralizar em livro a ser publicado, no mínimo, sob a anuência do poder público ora de plantão. Não é de estranhar, pois o projeto de cultura implantado pelo governo do meu Partido é pior do que os dos governos da direita agrária do passado.
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Senhor Jocas Oeiras quero, aqui dizer, ainda, que vossa senhoria não precisa ter medo de mim, pois não sou muita coisa não neste novo latifúndio chamado Piauí, apesar de reconhecer que minha militância intelectual foi nas salas de aula, formando gerações, eu acho, né. Com isso a minha opinião não deve provocar em ninguém nenhum medo, pois a ferramenta de contestação ao besteirol previsível que uso é a palavra, somente ela.
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Por fim, Senhor Joca Oeiras continuo com o mesmo pensamento de antes, ou seja, fui a este Nós e Elis algumas poucas vezes, sozinho ou acompanhado, declamando alguns poemas para uma platéia que se deleitava com ensopado de camarão suspeito e vodca falsificada em caipirinha que infernizava a cabeça e o estômago na manhã seguinte. Nada mais que me fizesse santificar este lugar depressivo que hora vossa senhoria relembra.
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E como bom nordestino que sou, achava mais legal mesmo era o Bar da Pretinha na Paiçandu em final de tarde com o meu amigo e poeta de saudosa memória Wilton Santos, pois lá éramos amigos das rainhas de lábios vermelhos e sainhas sugestivas ou então nos finais de semana no Bar Acauã no bairro São Pedro de propriedade do Chico irmão da poetisa/amiga Marleide Lins Albuquerque em companhia de F. Eduardo Lopes, Chico Castro, William Melo Soares, José Olimpio de Melo, Toinho, Miso, ZéMagão e tantos e tantas numa sinfonia onde rolava tudo. Tudo muito bom e sem frescuras depressivas e nem rei para patrulhar ninguém. Teresina sob a égide dos seus bares de conotação alienante, mas feliz e como feliz, meu caro.

Como última declaração deixo ainda isso: transformar Teresina em um bar é, no mínimo, reduzi-la a nada e sem falar que a esquerdinha de plantão nasceu nas mesas desse Nós e Elis para depois esquecer o pensamento mais básico de Karl Marx.

Emerson Araújo

Terça-feira, Outubro 20

Querido Emerson Araújo:

Algumas pessoas entre as quais, eu temo, você se inclui, acreditam que, do nada, eu saí apostando que o Bar "Nós e Elis" foi o que deixou "mais saudades", isto é, que a minha insistência em pedir às pessoas que escrevessem sobre o "Nós e Elis" fosse uma idiossincrasia e, principalmente, algo feito em detrimento de outros bares teresinenses.

Peço que entenda: a matéria com que eu procuro trabalhar não é um bar. Não estou, nem nunca estive, atrás do melhor bar de Teresina. O que busquei atingir neste livro, e acho que consegui, é que pessoas as mais díspares se dispusessem a compartilhar um passado, socialmente vivenciados por elas.

Mas, sou franco em dizer, meu caro Emerson Araújo; só obtive êxito (palpável, inegável,em menos de uma ano, diga o que bem quiser dizer e tente desqualificar o quanto quiser tentar o Airton Sampaio) porque o bar "Nós e Elis" marcou uma época em Teresina.

Se você não faz parte dos saudosistas este é um direito seu,ou, melhor dizendo, é seu ESTE direito. Faça bom uso dele!

beijos e abraços
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Joca Oeiras
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Sábado, Outubro 17

Homenagem Justa a Don Sandro Spinelli

Altissimo riconoscimento a Don Sandro Spinelli
(portoghese)

Com os meus cumprimentos, e de ordem do excelentissimo Sr. Governador do Estado do Piaui, Wellington Dias, Grão Mestre da Ordem Estadual do Mérito Renascença do Piauí.
Comunicamos que foi vossa senhoria admitida nos quadros da referida Ordem, em reconhecimento ao trabalho desenvolvido pelo engrandecimento danação brasileira, buscando a igualdade social etrabalhando pelo desenvolvimento de nosso país, nossa região e, em especial o Estado do Piaui".
A cerimonia de outorga da referida medalha acontecerá no dia 19 de outubrode 2009, às 18h30 no Clube dos Diários em Teresina-Piaui, por ocasiao dos 187° aniversario de adesão do Piauí a independ~encia do Brasil-Dia do Piauí, solenidade para a qual convidamos Vossa Senhoria e Familia."
Atenciosamente
Mara Beatriz Raulino de Oliveira Novaes
Diretora do Cerimonial.

(italiano)

Con i complimenti del Sig. Governatore dello Stato di Piauí, Wellington Dias, Grão Mestre da Ordem Estadual do Mérito Renascença del Piauí'
Informiamo che Lei è stato ammesso nei quadri dell’Ordine, in riconoscimento al lavoro svolto per la grandezza della nazione brasiliana, per la ricerca della parità sociale e per l’opera di sviluppo del nostro paese, la nostra regione e, in particolare, lo stato del Piauí.
La cerimonia per la consegna della medaglia è fissata per il 19 Ottobre 2009 alle ore 18:30 nel Clube dos Diários a Teresina-Piauí, per occasione del 187° anniversario di adesione del Piauí alla indipendenza del Brasile, della Festa dello Stato, solennità per la quale La invitiamo estendendo la partecipazione anche alla famiglia.
Cordiali saluti,
Mara Beatriz Raulino de Oliveira Novaes
Direttrice del Cerimoniale.

Domingo, Setembro 20

O show da cantora e compositora Lua de Morais

A cantora e compositora brasiliense Lua de Morais, que há 10 anos reside no Chile, está em Brasília para o lançamento do seu primeiro CD “Puedes Sonar”, com 12 composições de sua autoria, três em inglês, duas em português e sete em espanhaol. Neste sábado e domingo, dias 19 e 20 de setembro. Lua se apresenta no palco flutuante Barca Brasília,explorando, com sua voz macia e límpida, acompanhada ao violão, composições próprias, cantadas em três idiomas, espanhol, inglês e português. O público será contemplado ainda com exibição de algumas canções em DVD (inédito no Brasil) da cantora. O show terá a participação especial do poeta Menezes y Morais, recitando poemas próprios.

Além de participar do espetáculo protagonizado pela cantora, a bordo da Barca Brasília o navegante ainda terá o prazer de contemplar o deslumbrante cenário do Lago Paranoá ao anoitecer. Um show à parte! E a Barca garante, com sua equipe, segurança, conforto e atendimento personalizado. Faça sua reserva, venha participar!

A CANTORA
Lua de Morais, cantora e compositora, filha do jornalista e poeta piauiense radicado em Brasília Menezes y Morais, nasceu em Brasília, estudou nos Estados Unidos - país onde aperfeiçoou sua fluência na língua inglesa e, há 10 anos, reside em Santiago do Chile, cidade na qual vivenciou sua mais profundas experiências artístico-culturais e desenvolveu seu trabalho musical. Com o apoio do Conselho da Cultura e Artes Chileno gravou seu CD de estréia “Puedes Soñar” e vem trabalhando no projeto de regravá-lo em português. Lua de Morais traduz, assim, sua música: “Minha música é música da alma, é mais que só música, é parte sacra da minha vida, nela eu exponho segredos, medos, amores, alegrias e tristezas, espero que os ouvintes ouçam a música com os ouvidos da alma, não a escutem somente, podem encontrar muito onde se identificar”. Segundo a cantora, “La musica es el idioma del alma y no tiene lenguaje predeterminado”.

SERVIÇO:
Show musical com a cantora e compositora LUA DE MORAIS na Barca Brasília. Venha conferir!
Data: 19 e 20 de setembro – sábado e domingo
Local: Cais do Bay Park Hotel: SHTN Trecho 02 Lote 05 (próximo a Vila Planalto).
Partida: 17h; Previsão de chegada: 20h30.
Valor do passeio: R$ 40,00
(desconto especial para compra antecipada de 25% = R$30,00 por pessoa)
Couvert artístico: R$ 10,00
Consumo de alimentos e bebidas à parte.
Reservas e informações:
www.barcabrasilia.com.br
passeio@barcabrasilia.com.br
Telefones: 8419-7192 (Edmilson Figueiredo) e 8432-6234 (Amon Trajano).
Evento não indicado para menores de 16 anos desacompanhados.
Obs.: recomenda-se ter à mão um agasalho.

Sexta-feira, Agosto 28

Ainda bem

Imagem: Google
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Parece-me que a onda de hipocrisias sobre Teresina no apagar das luzes de agosto deu uma amenizada. Ainda bem, pois Teresina, hipócritas, não é nem menina, nem cajuína, nem esquina e nem tubaína (...e bota rimas pobres ridículas nisso!). Aliás, Teresina, ultimamente, não é nada, ou melhor, continua sendo devedora inadimplente do seu povo majoritário.

Emprestado


SALGADO MARANHÃO

São feitas de crisântemos as fibras
desse fogo que se molda à palavra
(e a esse jogo em que o amor se equilibra
como se a vida, então, fosse escrava);
ou, talvez, da pelagem de uma tigra
(que ocultasse um vulcão em sua lava)
para blefar que fica enquanto migra
para fingir que beija quando crava.
Mas isto são hipóteses ou arenga
ao que se queira ou não está à venda:
um terçar de lábios na carne brusca.
São só pegadas do que seja a lenda
de algum tesouro que se nos ofusca,
que ao tê-lo não se tenha mais que a busca.

Salgado Maranhão (José Salgado Santos) nasceu em Caxias, no Maranhão.Vive no Rio de Janeiro desde 1973. Seus primeiros poemas foram editados na antologia Ebulição da escrivatura, publicada pela Civilização Brasileira, em 1978.
Tem os seguintes livros de poesia publicados: Punhos da serpente, Palávora, O beijo da fera, Mural de Ventos, Prêmio Jabuti – 1999 por Mural de ventos e Pelagem da Tigra. É também letrista de música popular brasileira, tendo parcerias e gravações com Ivan Lins, Paulinho da Viola, Elba Ramalho, Zizi Possi e Ney Matogrosso, entre outros.

Domingo, Agosto 16

Sem pieguices


Foto: sem crédito


P/Airton Sampaio e kenard Kruel

Mais um aniversário de Teresina é celebrado. E como das vezes anteriores, as homenagens piegas para a cidade caem de enxurrada por outdors, jornais, blogs e programas de tvs hipócritas e suspeitos. É claro, sem falar também, do clima de falsidade institucional que rola em eventos de interesse político eleitoreiro visando a malandragem de 2010.

Mas deixando tanta homenagem pífia de lado, a pergunta premente é essa: será que há motivos aparentes para tanta hipocrisia ambulante e de cartão postal pueril que rolam por aí?

Reconhecemos que não é preciso ser um "douto" sobre Teresina para subtrair dela os seus bolsões de miseráveis perambulando pelos sinais de trânsito na busca de vinte e cinco centavos ou um pouco menos para sobreviverem, aglomerados de meninas e meninos em tenra idade se prostituindo ou cheirando cola ou nas cachimbadas de "crack" sobre os arvoredos das esquinas sem a devida assitência das "ongs" ávidas por grana e dos órgãos públicos atrás dos projetos sociais/educacionais que não se cumprem. Nisso, hipócritas, Teresina não é show, é tristeresina para não dizer outra coisa mesmo e pronto.

Nestes 157 anos, Teresina não cumpriu nenhuma missão, continua sendo, apenas, um arremedo de metrópole com as suas veias sociais abertas nos números gritantes de desempregados nas vilas e favelas sem norte e sem sul, nas meninas-prostitutas da Avenida Maranhão em manhãs e tardes de intensa melancolia e nos meninos que se arriscam na frente de veículos para limparem os pára-brisas dos carrões potentes de uma burguesia minoritária. Aqui, Teresina, também, não é show, hipócritas, é devedora inadimplente do seu povo majoritário.

Ainda nestes 157 anos, Teresina conseguiu se tornar uma cidade desarrumada naquilo que se pensava que era belo, ou seja, avenidas cheias de prédios infartantes, trânsito que não evolui por conta dos seus novos engenheiros sem competência acadêmica e que abandonaram a democracia dos seus caminhos.

Teresina, enfim, não é show e decreta, neste dia, morte aos seus hipócritas!


Emerson Araújo

Sexta-feira, Agosto 7

Poesia


Terça-feira, Agosto 4

Poesia

Semente de Adão

Plantei
No meu amorzinho
Uma semente
Entre
Beijos & afetos

Hoje
Acordei de assalto
Meu amorzinho já sente
Que estou
Por um filho

Cinen de Sousa
Mar/2009

http://cinen.sousa.zip.net/

Rosa Alice Branco


«Percebo, logo existe a realidade». Poderia ser este o lema da poeta Rosa Alice Branco. Autora de um trabalho académico sobre a teoria da percepção do filósofo inglês do século XVIII, George Berkeley (A Percepção Visual em Berkeley Como Operação Interpretativa. Prefácio de Fernando Gil. Porto: Fundação Engenheiro António Almeida, 1998), Rosa Alice Branco parece uma vez mais confirmar em seus poemas a ideia pessoana (em Caeiro) de que se não é poeta: vê-se, O pro¬blema de que se ocupa a filósofa do conhecimento e da estética no trabalho citado (originalmente, uma tese de mestrado orientada por Fernando Gil) é por ela formulado nestes termos: Se, como no pensamento materialista de Berkeley, se admite que a matéria não existe, como vemos o que vemos?
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A resposta cabal a esta pergunta sobre a teoria da visão de Berkeley não se encontra, porém, no ensaio filosófico, antes na poesia e na poética de Rosa Alice Branco. Em um sugestivo ensaio de refle¬xão estética intitulado O Que Falta ao Mundo Para Ser Quadro (Porto: Limiar, 1997), Rosa Alice Branco concluíra já que a construção do mundo reside no olhar humano. O que funda este saber, em que o «olhar humano» é a metáfora perfeita dos sentidos da percepção, encontra-se nos seus poemas, desde Animais da Terra (Porto: Limiar, 1988) passando por Monadologia Breve (Porto: Limiar, 1991), A Mão Feliz. Poemas D(e)ícticos (Porto: Limiar, 1994), O Único Traço do Pincel (Porto: Limiar, 1997), Da Alma e dos Espíritos Animais (esta última colecção ainda inédita). Vemos o que vemos, diz a poeta em todos os seus poemas, porque no olhar materializamos a realidade. Mesmo quando não vemos, é a percep¬ção dessa negatividade que nos ilumina o ser. «Olho pela janela e não vejo o mar», lê-se no primeiro da bela sequência de três poemas oferecida a Porto 2001 e significativamente intitulada Retrato Puído nas Entranhas. E na discursividade inventiva desse primeiro poema e dos restantes segue a constru¬ção da existência do quotidiano nas palavras, que «são as primeiras a chegar» — a manhã, a relva, o lume, o pão, o jornal, a saliva, o papel, as gaivotas. A sequência encerra com o olhar da poeta poisado no rio mas a deixar-lhe «fingir» o mar. [...]
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Palmeiras inclinadas. Ao longe o casario. É na água que o vejo, que sinto a cidade acordar.
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Mais uma mulher que olha o rio. Tenho as mãos desatadas, os pés a caminho. As margens alargam quando estou perto, mas do outro lado as mulheres não reflectem o rosto ou mesmo a sua ausência.
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São matéria do verbo fazer e caminham junto ao chão, na curva da noite para o marido. Gastos os sonhos por usar. Descorado pano que ficou ao sol. Nelas a cidade não acorda, não regressam os barcos à tardinha.
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Vêm pela beira dos caminhos, a tristeza amável, a raiva cega e às vezes um sorriso que sacode os ombros porque até a tristeza tem um custo, uma esperança na sola do sapato.
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Vejo-as todos os dias e é como se a vida me atasse os pés, me anelasse os dedos. Como eu, outras mulheres olhando o rio, desbordando o pano, descozendo a sopa. Ama-se o homem que vira a esquina connosco e sabe que não podemos fingir que a ferida está fechada. As casas acendem.
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E na água que vejo a sua luz descendo o rio. As mulheres passam em silêncio para as casas, atravessam a pele — deixam um retrato puído nas entranhas. Olho o rio e não sei fingir que finjo tanto mar.

Sexta-feira, Julho 31

Arte a venda













Pintura em telhas e tecidos
Arte: Mônica Almeida

Quinta-feira, Julho 30

RELÍQUIA 2

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RELÍQUIA


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Parabéns, cinquentão!


Sem síntese e sem imagem

Emerson Araújo
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Os 30 anos de minha parca vida passei na sala de aula. Na militância diária a favor do magistério de língua portuguesa e suas extensões. Entre as extensões destaco o ensino da língua normativa, da literatura de língua portuguesa e da produção textual.
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Foi na sala de aula sem adjetivos entre pós de giz e alunos e alunas às vezes interessados ou não que me pus íntegro, acreditando está contribuindo para a formação de um mundo justo e de pessoas honestas e solidárias com as outras. Se fiz isso não sei, mas a minha mais pura e necessária vontade foi esta.
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Diante deste preâmbulo pessoal digo, ainda, que não filosofei tanto como deveria, mas procurei dar ao aluno o melhor das informações e dos conceitos, partilhando com eles experiências de vida. Nunca fechei nada, mesmo porque não adianta "fechar" o que continuará aberto sempre.
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Como propfessor de literatura na práxis pedagógica cotidiana coloquei autores portugueses, brasileiros(os piaueinses, inclusive) em pé de igualdade sem me preocupar com datas, com síteses históricas e com arremedos didáticos em torno da produção artística literária.
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Agora vejo, mais uma vez, uma velha discussão estéril em torno da literatura brasileira produzida no Piauí. Digo estéril porque precisamos ultrapassar este "blablablá" que não acrescenta e nem esquenta a nossa mais tenra necessidade de levar ao público-leitor de sala de aula ou não o autor piauiense e a sua obra literária.
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Volto a minha experiência de sala de aula, sempre levei ao conhecimento geral de todas e todos que se fizeram alunos e olha que o número é alto, o autor português, brasileiro(inclusive piauiense) sem traumas e medos de ser feliz.
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Sempre acreditei que o regionalismo romântico de um Francisco Gil Castelo Branco estaria no mesmo plano de um Viconde de Taunay ou de um Almeida Garret em espaços geográficos, linguísticos e sociológicos não tão diferentes. Sempre coloquei lado a lado os autores de O Cortiço e Um Manicaca na mesma trilha estética de um naturalismo punjante e determinista, alguém há de duvidar disso?
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Por fim, fica a simplória certeza de que a discussão posta é estéril com os Barthes da vida, com a falta de formulação acadêmica para o tema e com a falta de coragem sempre de levar ao público-leitor destas plagas que não é só o aluno de escolas mal fadadas e de uma educação institucional que é a pior do Brasil apesar dos Dons Barretos e dos "bilinguiguins" das esquinas destas plagas, a obra do autor piauiense de qualquer tempo, de qualquer formulação temática, estética e deixemos de ladainhas que o milênio e os leitores nosso de cada dia nos cobram.
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Emerson Araújo é professor.

Montgomery Holanda

+ 29/07/2009

Terça-feira, Julho 28

Lançamentos